Fonte: Negócios Pet - 18/03/2025
Em 2025, o varejo Pet brasileiro está vivendo o seu auge, consolidando-se como o terceiro maior mercado do mundo em faturamento, atrás apenas dos Estados Unidos e China. Com um impressionante movimento econômico de R$ 77 milhões em 2024, representando um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. O setor passa por uma transformação na relação com os consumidores brasileiros e os seus 160 milhões de animais de estimação.
O fenômeno da humanização dos pets transcende o campo comportamental para se firmar como um dos principais motores econômicos deste mercado. Quando 70% dos tutores consideram seus animais como membros efetivos da família, o resultado é uma disposição, sem precedentes, para investir em produtos e serviços de qualidade superior.
Esta tendência não passou despercebida pelos grandes players do varejo. A entrada de gigantes como Grupo Boticário, Melissa, Fast Shop, Reserva, entre outros, no segmento Pet não é mero oportunismo, mas o reconhecimento de uma transformação estrutural no comportamento de consumo dos brasileiros. O movimento representa uma estratégia sofisticada de diversificação, pautada na percepção de que o cliente de hoje não se limita a segmentos estanques.
Como bem observa Sandro Magaldi, especialista em transformação de negócios, “o maior ativo de uma empresa é o cliente. E é essa a percepção, de a empresa olhar mais as demandas dos seus clientes como um todo e não do seu segmento específico.” Esta mudança de perspectiva, onde a centralidade do cliente supera os limites tradicionais do negócio, está redefinindo fronteiras de mercado historicamente consolidadas.
Um dos aspectos mais intrigantes deste setor varejista é sua persistente fragmentação. Enquanto os três maiores players nacionais (Petz, Cobasi e PetLove) representam apenas 16% do market share, os pequenos e médios pet shops continuam responsáveis por aproximadamente metade do faturamento total do setor. Este cenário aparentemente anacrônico, em tempos de consolidação digital, tem suas razões.
A principal força dos estabelecimentos de menor porte continua sendo a conveniência da proximidade geográfica. No entanto, esta vantagem isoladamente não será suficiente para enfrentar a digitalização acelerada e os planos agressivos de expansão das grandes redes. Estamos, muito provavelmente, testemunhando os últimos anos desta configuração atomizada do mercado.
Para sobreviver, o pequeno empresário precisará abraçar a realidade phygital a integração entre físico e digital tornando sua loja não apenas um ponto de venda, mas um espaço de experiências significativas para tutores e seus animais. A transformação dos pet shops em centros de convivência, combinada com ferramentas digitais acessíveis, representa sua melhor chance de manter relevância em um cenário cada vez mais competitivo.
Se existe uma tecnologia com potencial para redefinir completamente as regras do jogo no varejo Pet, esta tecnologia é a Inteligência Artificial. A IA está deixando de ser um diferencial para tornar-se imperativo estratégico, especialmente em um setor marcado por margens apertadas e forte concorrência. Segundo o especialista em Marketing de Produto, Rafael Ribas, a IA está “revolucionando a forma como os lojistas lidam com gestão de estoque, identificação de produtos vencidos e até mesmo a análise do perfil do consumidor”.
Da gestão automatizada de estoques à personalização em escala das experiências de compra, os algoritmos inteligentes estão revolucionando cada aspecto da cadeia de valor. O uso de câmeras inteligentes para identificação de produtos faltantes ou próximos do vencimento, sistemas de recomendação personalizados e assistentes virtuais disponíveis 24/7 já não são ficção científica, mas realidade implementável em operações de diversos portes.
O relatório da Economist Intelligence Unit que projeta crescimento global de 2,2% nas vendas de varejo para 2025 o maior na década – fundamenta-se, em grande medida, na adoção massiva destas tecnologias. Para o empresário que ainda resiste a esta transformação, o recado é claro: adaptar-se ou tornar-se irrelevante.
Se existe uma constante em todas as tendências observadas, é a centralidade absoluta do consumidor como força motriz das transformações. O cliente contemporâneo não apenas compra produtos para seus pets, mas expressa valores e afetos através destas escolhas.
Por isso mesmo, 65% dos brasileiros declaram preferência por empresas com práticas sustentáveis, segundo estudo da Nielsen. A sustentabilidade deixou de ser diferencial para tornar-se requisito, especialmente entre a geração Z, grupo consumidor com crescente poder aquisitivo e influência nas decisões familiares de compra.
Paralelamente, a experiência de compra torna-se tão importante quanto o produto em si. Lojas físicas estão se reinventando como espaços de convivência e informação, enquanto canais digitais buscam reproduzir aspectos da interação humana por meio de tecnologias cada vez mais sofisticadas.
O futuro parece promissor para o varejo Pet, com uma expectativa de crescimento de cerca de 87% até 2026. No entanto, como alerta, Nelo Marraccini, presidente do conselho consultivo do Instituto Pet Brasil, a redução na taxa de crescimento – de 16,4% em 2022 para projetados 12% em 2024 – “acende um sinal amarelo em todo o setor”.
Os desafios não são desprezíveis. Algumas categorias, como alimentos para pets, já mostram sinais de maturidade. As instabilidades econômicas persistentes e possíveis alterações nas legislações que impulsionaram comércio e serviços nos últimos anos são fatores que exigem cautela e planejamento estratégico consistente.
Para os varejistas que estão entrando agora neste mercado, o sucesso não será automaticamente garantido pela força de suas marcas. Como bem observa Magaldi, “a empresa tem que entender muito de comportamento e demanda, fazer uma imersão e não somente colocar produto no portfólio.”
O futuro do varejo Pet, no Brasil, é promissor, impulsionado pela crescente demanda por produtos e serviços de qualidade e personalizados, atendendo aos tutores cada vez mais comprometidos com o bem-estar de seus animais. A diversificação e reinvenção do setor exigem adaptação e inovação constante dos varejistas, que precisam abraçar tecnologias emergentes e focar na criação de experiências memoráveis, além da simples venda de produtos. A personalização, a sustentabilidade e a conectividade serão pilares do sucesso em 2025 e, além disso, demandam uma transformação radical na forma como os negócios são conduzidos, criando um ecossistema mais eficiente e consciente no comércio Pet.
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